quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Jornada pelo radio parte 08 - NA TERRA DO TIO SAM

Olá amigos (as), espero que estejam apreciando o blog, talvez meu texto não seja o mais perfeito e ao estilo dos grandes cronistas, mas estou tentando ser o mais próximo que um comunicador consegue ser diante do microfone, traduzindo o que falaria em texto, para que vocês possam visualizar as situações que aqui são apresentadas. Então vamos continuar. Este trecho, não necessariamente, tem relação com minha trajetória no radio, mas não posso pular esta parte que tem mais um lado pessoal do que profissional, porque ela tem relação com a continuação da minha vida de radialistaTalvez um dia crie um blog pra contar a vida pessoal que está nas entrelinhas desta carreira.
Bom, depois de fazer como todo mundo faz, pedi para ser demitido da RADIO AMERICA AM, mas como a dama de ferro não cedia, por mais que gostasse do meu trabalho na emissora, me disse que se eu quisesse que pedisse minha demissão. E assim eu fiz, vendi meu carro comprado a menos de 6 meses com meu acerto da Radio Cultura Am, juntei com as economias advindas de meu desligamento da Radio América Am e rumei para os EUA.
Na primeira ida, fiquei somente uma semana, você acredita nisto? Pois é a maré tinha começado mesmo a virar, ao colocar os pés nos EUA, por volta do mês de Agosto de 1999, recebi uma ligação urgente da médica de minha esposa, me informando que a dona Maria (Cátia), não tinha aguentado a emoção de minha partida e tinha sofrido um piripaco no coração, na verdade ela que é a minha segunda esposa, já não tinha lá uma saúde das mais confiáveis e com o emocional abalado, não resistiu a emoção do maridinho partir para tão longe e precisaria passar por uma intervenção cirúrgica, a qual a mesma só se sujeitaria se eu aqui estivesse. Lá fui eu pegar o avião de volta uma semana depois no aeroporto de N.Y. e voltar rápido para o Brasil. Voltei, ela fez a intervenção que precisava e fiquei em casa durante o resto do ano cuidando dela e dos filhos que ainda eram pequenos, e gastando os poucos recursos que ainda tinha dos meus acertos nas rádios, só para esclarecer, naquela época, eu tinha o Luigi Filho que vivia com minha primeira esposa, a Victoria Stefanie que contava com 1 ano e meio e o meu enteado que tinha por volta de uns 5 a 6 anos, hoje eu já tenho mais um , depois eu falo dele.
Restabelecida do mal cardíaco e mais forte, minha esposa teve que aceitar novamente minha decisão de ir para os EUA mais uma vez, pois já havia ficado um longo período sem colocação no mercado de trabalho (bonita esta expressão ?) DESEMPREGADO MESMO, e as coisas, já estavam mais que apertadas em nosso dia a dia , então era necessário que eu conseguisse um maior recurso financeiro em um menor espaço de tempo, a solução foi desembarcar mais uma vez em NEW JERSEY, desta vez em pleno inverno de Fevereiro de 2000.
Na verdade, minha passagem pela América foi até menos dolorosa, do que para muitos imigrantes, já que minha mãe já era uma cidadã americana e meu irmão também já tinha família constituída naquele País, então casa e comida já estavam garantidos, o que faltava mesmo era o trabalho.
Vale lembrar que na América na maioria das vezes , quando o sujeito chega , não tem esta de escolher a profissão que tinha no Brasil, isto é coisa pra rico ou coisa de filme, lá se você quer, pega o trabalho que aparecer e comigo não foi diferente, trabalhei na carpintaria (
JESUS AMADO), é a mais dolorosa das profissões naquele lugar, ao fim do primeiro dia de trabalho não consegui abrir minha mão e tão pouco sentir meu braço direito de tanto que bati prego e carreguei tábua nas costas, é sem duvida um dos serviços mais pesados de se fazer naquele País. Vou fazer um relato breve desta parte, pra gente poder voltar para o radio depressa. Bem, fiquei ali na carpintaria uns 3 meses, mas era inverno e as oportunidades de trabalho nesta época do ano são muito escassas e porque não dizer quase inexistentes, então tudo que ganhava na semana mandava para o Brasil para pagar contas atrasadas e sustentar a família. Como disse, era inverno e se nevava muito nada de trabalho foi aí que eu resolvi tentar a minha profissão na América, ser Radialista, nos dias de folga ia bater ás portas do local mais possível de me dar algo para fazer relacionado ao que já sabia, fui até a RTP (Radio Televisão Portuguesa), que mantinha um estúdio de Newark, próximo até de onde eu morava e como o dialeto é bastante semelhante, entendi que poderia fazer algum trabalho de locução, para a comunidade Brasileira que anunciava no canal Português. Não fui muito feliz, consegui fazer umas três gravações comerciais, sem muita expressão, o dinheiro era muito pouco para um imigrante que tinha saído do Brasil pra fazer um pé de meia, na verdade, eu tinha ido para os EUA, no desejo de passados alguns meses, levar toda a minha família, mas desisti.
Como não deu certo na RTP, voltei para as obras, fui trabalhar na construção de telhados, cheguei a subir escadas em uma altura de 20 a 40 metros , carregando rolo de material para construção de telhados no ombro, por exemplo, trabalhei em igrejas enormes daquelas que os EUA possuem,( serviço de doido aquele),limpei calhas, fiz faxina em residência, kkkkkk, um dia não tinha serviço na firma de construção de telhados em que eu trabalhava, que na verdade tinha atendido um pedido de meu irmão que lá trabalhava, para me dar algum trabalho por um tempo, então eu era um ajudante lá, mas um certo dia a faxineira da esposa do proprietário da firma faltou de serviço e a esposa dele estava desesperada porque precisava de alguém pra limpar a residência do casal, o meu irmão como já sabia que eu tinha jeito com estas coisas de cuidar de casa, imediatamente abriu a bocarra dele e ofereceu meus serviços para a patroa, lá fui eu fazer o CLEAN HOUSE, serviço de limpeza, da casa dos patrões, a conseqüência disso foi surpreendente, a mulher gostou tanto da minha faxina que dispensou a portuguesa que habitualmente fazia este serviço para ela e eu passei a atende-la, uma vez por semana, eu também cozinhei,lavei banheiros e tudo o que aparecia, até que um dia algo diferente surgiu como oportunidade de emprego. Também por indicação de meu irmão que conhecia o local fui ser Manager de uma boate GOGO, onde dança aquela mulherada semi-nua, que a gente vê na televisão, pois é, fui trabalhar na sucursal do inferno, acho que é o mais próximo que posso chegar para você ter noção do que era aquele lugar, trabalhava de11.30 da manhã até as 3.30 da manhã do outro dia , de segunda a segunda com meia folga diária durante a semana e um domingo uma vez na vida e outra na morte, local de chão preto, parede preta, teto preto, 4 caixas de som enormes batendo no ouvido durante todo o tempo, luzes piscando, 20 a 30 mulheres se revezando em danças sensuais e provocadoras, sobre o palco e 120 homens , tomando todas em volta do balcão, lutando para dar um TIP (gorjeta), para as dançarinas, em troca da atenção de uma delas, na hora de fazerem o drink habitual, mas era ali que conseguia mandar um bom dinheiro para casa e ainda juntar um pouco para minhas despesas pessoais, este trabalho posso dizer tinha algo mais próximo da minha realidade profissional, por se tratar de uma casa de eventos e que tratava com o publico, então cheguei a gerenciar algumas festas e eventos que rendiam um troco a mais para todos que ali trabalhavam e assim se passaram 7 meses, uma das conseqüências do trabalho, até hoje, não suporto a claridade, pois vivia tal qual os vampiros e só via a luz do sol entre 10:00 e 11.15h. da manhã, o resto era no escuro.
Chega um dia que a paciência esgota e eu que não me adaptava naquele País de forma alguma, resolvi voltar para o Brasil e retomar minha carreira. Não percam o próximo capitulo e sejam todos EXTREMAMENTE FELIZES!!!!.

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