quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Jornada pelo radio parte 06 – Dentro da REDE ITATIAIA DE RÁDIO

Opa peço desculpas a você, que vem acompanhando a historia deste comunicador, estive ausente na freqüência de minhas postagens, é que andei um tanto ocupado com alguns trabalhos nos últimos dias, o que não significa necessariamente, ganhando dinheiro, e aí não deu pra escrever a continuação de nossa saga , mas vamos continuar nesta postagem. Antes, porém gostaria de agradecer ao colega RONALDO CARVALHO, que já deixou a mensagem dele na postagem anterior, vou falar dele daqui a pouquinho. Bem, então vamos continuar, como disse nas ultimas linhas do post anterior, me tornei o apresentador do POINT 103, era o horário quente da radio EXTRA FM naquela época. Foi no meu primeiro dia de trabalho que recebi um telegrama do meu pai o Luziário Pinto, com algumas palavras, veja bem, o lema lá em casa era este, fez errado tá no corretivo, fez certo, não foi mais que obrigação, então palavras de elogio, não eram muito freqüentes, parabéns então, raríssimos, que eu me lembre no dia do telegrama, foi uma das poucas vezes que recebi o reconhecimento de um bom trabalho, vou tentar reproduzir aqui o que continha no mesmo, já que não me lembro ao certo do texto, mas era mais ou menos assim “ Parabéns, ouvi emocionado despedida 107 parabéns, na Itatiaia amigos meus, amigos seus, Sucesso.” Basicamente foi isto , mas imagine a minha felicidade, o segundo elogio pra valer mesmo veio na segunda postagem deste blog, mas o burro aqui, conseguiu realizar o feito de apagá-lo, fui editar o texto e salvei a coisa errada e perdi o depoimento, mas fiquei também feliz com a palavras dele. OPA, pode parar, não é pra ninguém ficar chorando aqui não, vamos voltar para a historia deste comunicador.
Na REDE ITATIAIA, descobri um outro universo profissional, este no sentido mais exato da palavra. Para quem conhece a Itatiaia, sabe que o lema para muitos é QUEM TÁ DENTRO QUER SAIR , QUEM TÁ FORA, TÁ DOIDO PRA ENTRAR, é um misto de cobrança e obrigação, dever e satisfação, é um grupo espetacular que prima pela qualidade técnica e artística, descobri que na Itatiaia, com raríssimas exceções, só trabalhavam os melhores profissionais e só permaneciam por um longo tempo os mais competentes, isto serve para todos que lá ainda estão e aos que por longos anos permaneceram, por que um coisa é certa , ali só fica muito tempo quem tem competência. Desculpe a sinceridade, mas ela às vezes incomoda e eu, de vez em sempre, costumo ser sincero nas minhas opiniões profissionais, mesmo sabendo que ela desagrada a quem não quer ouvir.
O problema de se trabalhar em grandes empresas é que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco e em se tratando de rádio, o locutor, sempre é o pato da vez (depois explico melhor).
Estando dentro da Itatiaia, logo pensei, não posso ficar só aqui na EXTRA FM, aqui dentro existem ainda a ITATIAIA AM, FM, e a rádio CULTURA AM, então tenho que dar meus pulos e buscar uma outra colocação, ou melhor, mais uma colocação em uma destas outras emissoras do grupo.
E assim, comecei a buscar testes para as outras rádios do grupo, pra você ter idéia da dificuldade de se entrar para o cast da Itatiaia , é só você calcular, o ACIR ANTÃO, já era locutor da Itatiaia a uns 20 anos, saí de lá e ele ainda é, então entrar propriamente na Itatiaia AM, não seria uma coisa muito fácil, ciente disto, fui bater na porta do RONALDO CARVALHO, o cara que citei lá em cima, ele era o coordenador artístico da CULTURA AM, integrante do grupo, com ele na emissora, ainda haviam o RICARDO NACIMENTO, o ADELICIO MATINA , (este muita gente conheceu como o locutor da radio ATALAIA, ) a voz dele era inconfundível naquela emissora, e o APOLO FERREIRA,( um cara hilário).
Fiz o teste em uma emissora AM, porque sempre fui ligado nesta coisa de comunicar, para os mais desavisados o correto é dizer que os profissionais do radio AM, é que são os verdadeiros COMUNICADORES, e os profissionais do FM é que são LOCUTORES. E não precisa achar que isto é conversa de quem já está com 42 anos e com a cabeça branca não, porque naquela época eu tinha apenas 22 para 23 anos e cedo descobri isto, porque não é qualquer um que consegue sentar diante de um microfone e conduzir um programa de 4 horas, mantendo um assunto e prendendo a atenção do ouvinte,sem ficar tocando musica a cada 3 minutos, ao passo que anunciar e desanunciar (expressão radiofônica) música e falar qualquer leréia, na saída e entrada do bloco musical, o mais inexperiente dos profissionais pode fazer.
Fiz o teste, o RONALDO CARVALHO aprovou e apresentou a proposta de minha contratação ao EMANUEL CARNEIRO, naquela época diretor geral da Itatiaia, já que o JANUARIO CARNEIRO, ainda se encontrava vivo e era o presidente do grupo.
Um dia, não me lembro qual, o Emanuel Carneiro, passou pelo corredor da EXTRA FM, abriu a porta do estúdio, e disse: “Ô Chefe (ele trata a maioria das pessoas dentro da radio assim), depois passe na cultura e acerte com o Ronaldo Carvalho, você vai começar na Cultura, vai fazer as duas ]Extra e a Cultura, você acha que dá?” pergunta desnecessária não é mesmo?, No outro dia cedo procurei o Ronaldo pra saber de minhas novas atribuições e comecei então a ser locutor das duas emissoras da Rede Itatiaia.
A Cultura AM , naquela época ocupava o 2º lugar no Ibope, era uma radio vitrolão, se é que podemos usar esta expressão, para ser bastante sincero, fiquei um pouco decepcionado, quando descobri como era realmente a linha de locução da radio, pois eu queria era falar, mandar abraço, dar noticia, enfim COMUNICAR, e lá a gente só podia anunciar e desanunciar a musica com o nome do interprete e informar a hora certa e ler um noticiário de 5 minutos de hora em hora. Mas estava valendo da mesma forma, era a radio CULTURA AM, voltando a fazer parte da minha vida, você que está acompanhando o Blog, desde as primeiras postagens, já sabe da minha primeira experiência com esta emissora. Agora eu era locutor daquela radio que um dia eu entrava apenas para esperar meu pai terminar o programa dele, e ajudava a limpar e arrumar capas de disco.
Foi também uma grata experiência, aprendi mais ainda, que o AM é um outro universo, amplo e exigente, onde a informação é imprescindível, o publico variado e bem diferente do FM, por que não dizer mais exigente, o comunicador do AM, cria um vinculo de cumplicidade com o ouvinte, este, confia no comunicador e baseia muitas de suas ações, na informação que o profissional do radio passa. Veja bem, não confunda informação com opinião, o bom profissional de rádio não dá opinião, ele é um FORMADOR DE OPINIÃO.
Na radio Cultura, tínhamos também uma excelente equipe de operadores de áudio, dentre eles um que passou a ter uma participação muito importante na minha vida, uma pessoa a quem não posso referir apenas como amigo, mas sim um verdadeiro irmão, WALLACE DE MELO, hoje é meu compadre, batizou a minha filha do meio, uma pessoa realmente muito especial, que foi meu parceiro de farra, de alegrias, de tristezas, de fartura e de aperto financeiro este ultimo nem me fale, mas o Wallace estava sempre alí dando uma força e estendendo á mão amiga, devo tanto este cara (em todos os sentidos), que não sei até hoje como pagar. Mas um dia Deus mostra o caminho.
Locutor e operador, em uma rádio tem que saber trabalhar em sintonia e na Cultura AM, não tinha uma dupla melhor que eu e meu amigo Wallace, me desculpe os colegas, a sincronia no programa era tanta que só de olhar para ele, o cara já sabia que musica colocar, a hora de levantar ou baixar o BG, ou colocar uma vinheta , fazíamos o programa juntos e não separadamente, como muitos faziam ou fazem até hoje, em um estúdio em que trabalham dois, a sincronia tem que ser boa para a coisa fluir bem, e assim éramos nós dois no ar juntos.
Como não era ou não é até hoje, muito usual no FM jovem, na Cultura AM, comecei a ler os primeiros blocos noticiosos e com isto a aprimorar a leitura de noticiários, lá também, fiz *de tudo um pouco (*esta ultima frase virou programa de tv, falo nisto mais tarde). Comecei a me inteirar das coisas da radio, então, logo comecei a cobrir algumas férias como a do programador, que naquela época era o alegre e festivo BETO, como já conhecia, bem o mundo da discoteca, graças as experiências da infância, comecei na pratica a ajudar sempre que necessário na organização dos LPs na discoteca da radio que era vastíssima e a fazer também a programação da emissora . Também em 2 oportunidades se não me engano, assumi a coordenação artística da emissora, quando das férias do amigo RONALDO CARVALHO. Mas como era apenas um substituto, não podia colocar em pratica minhas idéias para a emissora, tão pouco sugerir nenhuma mudança, verdade seja dita idéias é que não faltavam.
Lembra que lá em cima eu falei que o ruim de trabalhar em grandes empresas, é que a corda sempre rebenta para o lado mais fraco? Pois é, uma bela sexta feira a noite, a turma da radio Extra, emissora na qual eu ainda era locutor, como já disse, resolveu sair pra tomar uma cerveja, o meu então diretor PAULINHO NAZARITO, convidou a galera para dar um pulo num bar e tomar umas. Clima descontraído, cerveja, pra lá, cerveja pra cá e deu a hora de ir embora, o Paulinho naquela época morava no bairro Cidade Nova, eu em um bairro mais modesto, no Minaslândia (êta nominho feio sô), que ficava um pouco mais a frente, então ele gentilmente me convidou pra irmos no mesmo táxi e o melhor, ao pararmos no destino dele, o cara ainda fez questão de pagar a minha corrida até em casa. Bom né? Pois é, mas todo mundo sabe que QUANDO A ESMOLA É MUITA, O SANTO DESCONFIA.
No dia seguinte, estava eu de volta pra assumir meu horário às 13:00 na Extra FM, sempre fui um profissional, que procurou chegar mais cedo, isto, porque tínhamos que separar algumas musicas da programação, comerciais, etc...
Qual não foi a minha surpresa, quando cheguei na radio? Já tinha um outro cara sentado, pronto pra começar a apresentar o horário no meu lugar, assim, na maior tranqüilidade, era o EVERTON GONTIJO, hoje ele é comunicador da INCONFIDÊNCIA, aliás o RONALDO CARVALHO , também está lá. Fiquei de cara, virei para sala da coordenação artística e atônito com a situação perguntei o que estava acontecendo, já que não tinha sido comunicado de nenhuma mudança do meu horário.
Aí, foi que descobri que desde á noite anterior a minha cabeça já tinha rolado morro abaixo. Triste né? Mas a coisa funciona mais ou menos assim, em algumas situações, quando a radio vai mal da audiência, o diretor ou coordenador artistico é cobrado, ele por sua vez tem que segurar a própria cabeça pra ela não cair, aí tem que se achar um culpado para o desastre e a bola da vez fui eu, mas tenho que ressaltar que nos 5 meses anteriores à minha saída, já tinham caído outros 5 locutores, todo mês ia um embora. Tubo bem, um tempo depois foi o próprio Paulinho que teve a cabeça rolando. Ah!!, Vale lembrar que eu continuei na Cultura AM por mais um longo período.
A Rede Itatiaia como estava crescendo cada vez mais, com emissoras pertencentes ao grupo sendo abertas em várias outras cidades do Estado, foi então que o OSVALDO FARIA, (ele mesmo o “coragem para falar a verdade”, ícone do comentário esportivo) começou a dar algumas ordens na emissora, afinal de contas ele também era dono da rádio junto com os Carneiro. Não sei verdadeiramente os motivos que fizeram o Emanuel Carneiro a colocar o Osvaldo Faria pra tomar decisões na emissora, foram muitos os boatos, mas os verdadeiros motivos, só eles sabiam, só sei que um dia o Osvaldo chegou pra mim e disse : “ Ô garoto, gosto muito do seu trabalho, você não quer fazer mais um programa na radio não?, tô precisando de você à noite, de 20 as 22 horas, vou aumentar R$100,00 no seu salário, quer?.Outra pergunta que não precisava ser feita. Claro que topei na hora, e ele no outro dia me deu uma lista, com uma serie de nomes , com um recado “quero você falando, mandando abraço pra esta lista aí quase todo dia, quero ouvir você falando mais na radio” e assim passou a ser efetivamente em toda a programação, daí a alguns dias, ele já colocou a esposa dele que me perdoem , não recordo o nome para falar da Assembléia Legislativa, todo dia, repórteres com matérias variadas diariamente, e locutores noticiaristas de hora em hora. Na verdade o que todos nós percebemos, foi que com a mudança da programação ela começou a esbarrar na pontuação da Itatiaia, que era líder absoluta no ibope, lógico que modestamente, mas a pontuação começou a apresentar um outro esboço e todos nós sabíamos que o Emanuel não iria permitir isto, passados mais alguns meses recebíamos um comunicado em uma reunião agendada com todos. A rádio Cultura Am , tinha sido vendida para a Arquidiocese de Belo Horizonte, a Igreja Católica havia adquirido a emissora, e ficaríamos nas instalações da Rede Itatiaia por pouco tempo mais. Por um período ficamos no prédio da rua Bomfim, trabalhando na Cultura , mas funcionários da Arquidiocese , foi neste período que recebi o convite para ser locutor noticiarista da AMÉRICA AM , pouco tempo depois a emissora foi transferida para as instalações no bairro DOM CABRAL, o RONALDO CARVALHO não foi e nem o RICARDO NACIMENTO, que hoje é o responsável por coordenar todas as emissoras FM da REDE ITATIAIA, ( acho que basicamente o que ele faz é isto mesmo). O Ronaldo Carvalho, deve ter lido cada linha deste post, se eu tiver confundido alguma informação , ou se não tiver sido correto em alguma parte, fique á vontade pra fazer seus comentários meu amigo. Bom, Foram para a nova sede da radio Cultura AM o APOLO FERREIRA o ADELICIO MATINA e eu, mas aí ,já é uma outra parte da minha História, que eu conto no próximo post. Um abraço. Até lá...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A jornada pelo radio parte 05 - locutor da 107FM a rádio do estudante



Falar da 107 FM me enche de emoção, não só a mim, mas a todos os jovens profissionais que por ali passaram, éramos vários, de todos os seguimentos , professores, locutores, artistas, jornalistas,estilistas, produtores, técnicos, DJs, e motoristas, era uma emissora em que todos , desde a faxineira até o diretor administrativo eram uma EQUIPE. Todos tinham suas funções, todos suas responsabilidades, todos cumpriam fielmente suas atribuições e foi por isto que conseguimos em um dia dos mais vibrantes, colocar a 107 FM, uma rádio que tinha apenas 1000 watts de potência ou um Kg como dizemos, em 1º lugar em BH.
Ninguém acreditou naquele dia, que isto estava acontecendo, nem nós, nem os outros diretores de rádio.A 107, foi destaque nos maiores jornais de minas, locutores eram destacados, djs elogiados e o diretor artístico exaltado por todos os outros profissionais e críticos de rádio, fomos destaque da revista VEJA e várias outras.
Mas uma pessoa sabia muito bem o que estava acontecendo, o nome dele é CLAUDINE ALBERTINI, ele mesmo, aquele que eu falei na postagem anterior, ele na mudança de proprietários da emissora, deixou a Del Rey e foi dirigir um bando de meninos novos no radio e transforma-los nos melhores e mais disputados comunicadores de FM daqueles anos.
Não vai dar para contar toda a historia da emissora aqui, pois envolveria muitos profissionais e muitos casos e nem sei se eu conseguira ser fiel e correto em todos os fatos, então vamos deixar para que cada um deles que um dia vierem a montar seu próprio blog, escrevam cada um sua versão e suas experiências.
Na 107FM, me lapidei, ou melhor, fui lapidado, aprendi a ser dinâmico e objetivo, alegre em todos os momentos, ágil em operar e levar o estilo das emissoras americanas para o rádio mineiro, tocávamos os mais dançantes hits daqueles anos, fiz conexões, que eram as transmissões externas, dos mais variados e badalados points de bh, bares, danceterias, shows, tudo que era jovem e dava movimento tinha a presença da 107FM, nas coberturas dos vestibulares, éramos imbatíveis, fazíamos conexões, com emissoras do litoral capixaba e falando de belo horizonte, fazíamos nosso som chegar ás praias, onde os mineiros passavam férias. Não havia um só estudante ou vestibulando que não ouvisse a 107 fm. Lembro-me que eu era o locutor oficial da listagem dos aprovados da PUC e da FEDERAL, neste dia era montado um grande suporte para o desempenho de meu trabalho, depois da equipe da emissora fazer toda a cobertura do dia do vestibular, com externas dos campi universitários, das ruas, dos bares que circundavam as universidades, chegava o dia de ler o nome dos aprovados nos vestibulares e esta função competia a mim, era uma jornada que já chegou a durar 4 horas ininterruptas, onde eu lia direto, com pequenos intervalos para o bloco comercial cerca 4 a 11 mil nomes de aprovados, um por um, disciplina por disciplina, tudo cronometrado , porque tudo tinha que terminar antes do inicio da Voz do Brasil.
Na 107fm, tudo era festa, tudo era alegria, tinha claro , quebra pau de vez em quando afinal éramos todos jovens, entusiasmados e ás vezes metíamos os pés pelas mãos e o Sr. Claudine, saia comendo o fígado de cada um e colocando o barco nos eixos novamente , ou melhor os ponteiros na freqüência correta.
Mas uma coisa me incomodou nestes 3 anos e meio que fiz parte daquela magnífica equipe, é que a coisa funciona assim , toda radio tem os locutores fixos, a turma da elite, vamos dizer assim e o folguista, aquele que tira a folga da turma, o locutor fixo folga, o folguista trabalha , mas quando um locutor do horário fixo sai da emissora, na grande maioria das vezes o folguista assume o horário titular, isto só não acontece se o folguista não possui condições técnicas para tal. Aí morava o problema, eu já era folguista a 3 anos na emissora, sai titular , entrava titular e eu lá como folguista, um dia já revoltado com aquela situação, fui até a sala do Albertini e desabafei, disse que não agüentava mais ser menosprezado perante os demais locutores, pois eu fazia de tudo e não conseguia assumir um horário fixo, e se ele não estivesse satisfeito com meu trabalho que me avisasse, porque ele nunca me dava um horário titular. Foi aí que eu ouvi a segunda frase que me deixou envaidecido pelo meu trabalho. A primeira foi o Geraldão quem disse, você já lei na nossa postagem anterior, e desta vez foi o Claudine que naquele dia me deu a segunda resposta:”Luigi, não é que você seja ruim garoto, na verdade você não sai da folga porque eu não tenho ninguém que faça todos os horários da radio como você faz e lhe digo mais, o dia que eu te colocar no horário fixo, eu perco você para outra emissora”.Pronto o cara me desmontou, falar o que, depois disto, coloquei meu rabinho entre as pernas, agradeci e voltei pro estúdio para trabalhar, certo de que eu estava ali porque era bom e fazia parte do grupo como peça importante.
Mas o que foram as palavras do Claudine, se tornaram realidade , algum tempo depois o locutor titular do horário das 14 as 18 horas, os Marquinhos Kafka, foi vitima de um assalto, sofrendo uma agressão e tendo de ser hospitalizado, o que deveria ser um caso simples se agravou em função de um infecção hospitalar, e o que era para ser um afastamento de uma semana tornou-se 2 meses de licença.Então , como Claudine , já havia previsto, fui para o horário titular e 30 dias depois, recebo uma ligação exatamente as 18 e 45h. da secretária do diretor da rádio EXTRA FM , que na época era o PAULINHO NAZARITO, ele desejava falar comigo naquela noite ainda e a secretária dele perguntou se eu tinha disponibilidade ir até a emissora falar com ele.
Fui e recebi o convite, para integrar a equipe de comunicadores da EXTRA FM e fazer parte do grupo de profissionais da REDE ITATIAIA DE RADIO.você sabe o que é isto? Se nunca trabalhou ali não sabe mesmo.....
No dia seguinte, pedi um reunião com meus diretores na 107 FM e comuniquei que tinha recebido a oferta da emissora, e ouvi do Claudine mais uma vez, “não te falei que eu ia te perder se você fosse para o horário fixo”, recebi os votos de boa sorte, pois todos que ali trabalhavam sabiam que entrar para a Rede Itatiaia era um grande salto, e que eles não poderiam me impedir de salta-lo. Uma semana depois eu era o apresentador do POIT 103, o programa mais badalado da emissora de 14 as 18 horas, mas esta História e nova fase da minha carreira você vai ler na próxima postagem, até lá.....

A jornada pelo radio parte 04 - Passagem pela Radio Inconfidência AM/FM e Anchieta FM

Depois de passar pela radio Altaneira FM, em um período que durou aproximadamente um 1 ano e meio a 2 anos, tive que dar uma pequena pausa na área de locução, a emissora passou por algumas mudanças técnicas e com isto a programação foi interrompida por um certo período, voltando algum tempo depois como Rádio Grande Belo Horizonte FM, não confunda com BH FM, não tem nada a ver uma emissora com a outra. Com isto, tive que dar meus pulos, afinal já tinha bebido da cachaça do rádio, como costumamos dizer e já tinha ficado viciando em comunicar.
Só que entrar no radio nos anos 80 e 90 ,não era tão fácil como acontece nos dias atuais onde qualquer um – infelizmente a expressão é está mesmo – senta e começa a vomitar qualquer coisa e de qualquer jeito em microfone de rádio.Tive que buscar uma outra colocação e fui ser operador na Radio Inconfidência AM e FM, entrei nos quadros de operação da emissora, esperando vagar uma janela na área de locução, demorou um pouco mas um dia pintou a oportunidade de fazer as férias de um locutor da madrugada no AM, se não me engano era o Contatos da Madrugada, se o nome não for este era parecido. Você que está lendo este blog, já teve oportunidade de falar em uma emissora de rádio, onde você fala alô para um ouvinte ao telefone no ar em Minas Gerais e ele lhe responde do outro lado que está falando lá do Rio de Janeiro? Cabo Frio? Espírito Santo? ,não?, pois é meu amigo(a),é uma sensação indescritível , isto porque no AM da Inconfidência, você fala em ondas curtas e médias , ou seja , você fala longe mesmo.
Bom , fiz este programa em um período de 30 dias, e também cobri durante um certo período algumas folgas na Inconfidência FM.
Só que ao mesmo tempo, visitava outras emissoras de rádio, fazendo testes ou PILOTOS, como chamamos na expressão profissional da coisa.
Até que um dia eu fui bater na porta do SISTEMA DEL REY DE COMUNICAÇÃO, hoje em dia todo mundo conhece como rádio 98FM, lá numa salinha em frente ao estúdios de locução estavam também dois feras respeitadíssimos do radio fm naqueles tempos. ZANCAR e CLAUDINÊ ALBERTINI, este segundo tem uma ficha artística invejável , tente encontra-lo no Orkut e se você tiver acesso ,leia a historia profissional dele. Bem , fiz um piloto, apresentei meu trabalho e um belo dia eis que o CLAUDINÊ me liga e me chama para conversar, a partir daquele momento eu entrava para a equipe de comunicadores da RÁDIO ANCHIETA FM, que estava no complexo do sistema DEL REY mas que pertencia ao Sistema Newton Paiva de Comunicação.Voltei a ser locutor , desta vez em uma radio de BH. Naquele mesmo complexo de radio, estavam as FM TERRA, DEL REY e ANCHIETA FM e também grandes nomes da comunicação do FM naquela época, com KEMIL, LOBÃO, GET CRAZY, Mr.T.
Lembro um dia que cheio de timidez e porque não dizer medo, abri a porta do estudio da Del Rey e quem estava lá era o LOBÃO, uma das vozes mais potentes do rádio mineiro, ao abrir a porta do estúdio, ele me olhou pelo canto da mesa, tipo assim “que isto garoto, como é que você vai entrando assim no estúdio”, fechei a porta rapidinho e fiquei todo sem graça, achando que tinha incomodado o grande lobão, quem diria, que uns 7 anos depois eu ficava tomando caixas de cerveja com ele pelos barzinhos da Avenida Alves Cabral. Bom estando no complexo del rey , também apareceu a oportunidade fazer umas férias na radio TERRA , ela só tocava rock and Roll, e a vinheta era “ O SOM QUE A TERRA NÃO ESQUECEU”, até que depois de 1 ano a rádio Anchieta foi vendida para o grupo PROMOVE de ensino onde nasceria a 107 FM a Rádio do Estudante , uma rádio educativa e a minha mais vibrante e emocionante passagem pelo rádio.

A jornada pelo radio parte 03 - Locutor da Altaneira FM




ALGUNS ANOS DEPOIS..................., bom, anos depois, comecei profissionalmente a minha carreira de radialista, aí muita gente pensa da seguinte forma, o pai dele é o Luziário Pinto, um locutor famoso e respeitado, então ele coloca o filho dele em qualquer lugar, não foi bem assim, ao contrario do que pensavam alguns profissionais da época em que comecei, tive que passar pelo crivo e aceitação de um diretor de radio, como acontece com qualquer um. Na época eu estava com 18 anos, no primeiro teste, o diretor era o CARLOS SANTA RITA, diretor da Radio Grande BH, que pertencia ao grupo MDC, leia Manoel Diamantino Costa. Bom, lá fui eu fazer meu teste, acompanhado do seu Luziário, chegando lá, depois das devidas apresentações, meu pai vira e fala pra mim: “Agora você fica aí e mostra o que sabe fazer”, pronto , tô lascado, achei que ele ia ficar ali pra me orientar, mas não, a intenção dele ao me deixar ali sozinho com o SANTA RITA, era justamente não influenciar na decisão do colega de radio. Assim foi feito, ele se despediu, tirou o time de campo e me deixou ali, na cara do gol, ou melhor, com a bola nos pés, se eu ia marcar o gol era outra estória. Pauta na mão, uma seleção de noticias e uma seleção de musicas, entrei pra o estúdio, suei frio, mas pensei , hora eu sei fazer isto, e disparei. Já fiquei ali, esperando o SANTA RITA, falar, “você está contratado”, mas ele não era o Roberto Justus e não foi daquela vez. Mas tinha um detalhe sobre aquele teste, é que era para radio AM , ou seja para a Rádio Grande BH, o diretor então me disse que depois entrava em contato, pra gente conversar a respeito do teste, passados alguns dias, voltamos lá no escritório da Grande Bh, que na época ficava na Av. Brasil ( se não me engano) e o Santa Rita falou com meu pai, que eu ainda não estava pronto para enfrentar uma rádio AM, mas que eu estava no ponto para trabalhar na emissora FM que o grupo possuía em Pedro Leopoldo, na verdade em São José da lapa, e que se chamava ALTANEIRA FM, se eu quisesse, já poderia começar na semana seguinte, detalhe, o horário era o mais doido de todos , de 02:00 ás 06:00 da manhã. .
Eu nunca tinha ouvido falar desta tal de ALTANEIRA FM, mas tudo bem, atirei no elefante, acertei no camundongo e lá fui eu, ser locutor profissional de rádio, isto no ano de 1986, se eu for contar aqui os detalhes do período em que fiquei na Altaneira FM, você vai ler e por muito tempo, porque teve muita coisa interessante, como por exemplo, ter que pegar o ônibus na rodoviária de BH as 22:00H, subir um morro de quase 300 metros a pé para chegar na radio e trabalhar, levar marmita pra comer de madrugada, dormir um pouquinho de 23:00 à 01.30 da manhã e começar fazer locução até 6 da manha, quando o dia nascia , eu abria o microfone e falava “BOM DIA 6 da manha” nesta hora o boi chegava na janela e mogia, saindo tudo no ar o bem-te-vi, cantava no pé de goiaba que tinha ao lado da janela do studio, que não tinha vidro era de madeira mesmo e a dona Maria que tinha um sitio pequenininho ao lado do terreno da radio, chegava na janela de uma hora pra outra e pergunta “ ô luizim meu fio cê que um cafezim”, e outras coisa, como o CARLOS MONTEZUMA chegando na rádio com sua motoca potente, acho que era uma Halley , todo rebelde (como sempre era) e dando murros e afundando a madeira das portas já destruídas pelos cupims. Quando dava fome a gente apelava para os pés de goiaba ou de mexerica que tinha no terreno da rádio,.Bom como disse são muitos os casos que tomariam muito seu tempo aqui lendo, mas registro aqui um abraço para os companheiros de rádio daquela época, como o técnico ELMIR , que está até hoje em Pedro Leopoldo e é dono da Radio Comunitária PLFM, do MARCELO PIANCASTELLI, o galâ da radio, o WAGNER COCCI o ZÉ CARLOS (dividi algumas marmitas com este cara), e um cara que não lembro nome mas ele chegou na radio e disse que queria ser conhecido pelo nome artisitico NEW LANDER , eu agüento isto, o apelido era americano, mas o sujeito não sabia falar o nome de uma música internacional kkkkkkk, fazer o que né?, teve também , o CAIO CAVALCANTE diretor de Marketing, que veio um tempo depois integrar a equipe da emissora , o GUERRA, que era o diretor artístico, com quem iria trombar uns anos depois na EXTRA FM e a LUCIENE TAKARASHI, namorada dele e responsável pelo jornalismo da Altaneira.No período que fiquei por lá, também fui aprendendo mais e comecei a gravar alguns comerciais para a radio GRANDE BH AM.
Ufa!!!!, está coisa de contar História,não é mole, mas tudo bem, pausa até a próxima postagem, onde vou contar da minha passagem pela RÁDIO INCONFIDÊNCIA AM e FM.