terça-feira, 1 de setembro de 2009

A jornada pelo radio parte 05 - locutor da 107FM a rádio do estudante



Falar da 107 FM me enche de emoção, não só a mim, mas a todos os jovens profissionais que por ali passaram, éramos vários, de todos os seguimentos , professores, locutores, artistas, jornalistas,estilistas, produtores, técnicos, DJs, e motoristas, era uma emissora em que todos , desde a faxineira até o diretor administrativo eram uma EQUIPE. Todos tinham suas funções, todos suas responsabilidades, todos cumpriam fielmente suas atribuições e foi por isto que conseguimos em um dia dos mais vibrantes, colocar a 107 FM, uma rádio que tinha apenas 1000 watts de potência ou um Kg como dizemos, em 1º lugar em BH.
Ninguém acreditou naquele dia, que isto estava acontecendo, nem nós, nem os outros diretores de rádio.A 107, foi destaque nos maiores jornais de minas, locutores eram destacados, djs elogiados e o diretor artístico exaltado por todos os outros profissionais e críticos de rádio, fomos destaque da revista VEJA e várias outras.
Mas uma pessoa sabia muito bem o que estava acontecendo, o nome dele é CLAUDINE ALBERTINI, ele mesmo, aquele que eu falei na postagem anterior, ele na mudança de proprietários da emissora, deixou a Del Rey e foi dirigir um bando de meninos novos no radio e transforma-los nos melhores e mais disputados comunicadores de FM daqueles anos.
Não vai dar para contar toda a historia da emissora aqui, pois envolveria muitos profissionais e muitos casos e nem sei se eu conseguira ser fiel e correto em todos os fatos, então vamos deixar para que cada um deles que um dia vierem a montar seu próprio blog, escrevam cada um sua versão e suas experiências.
Na 107FM, me lapidei, ou melhor, fui lapidado, aprendi a ser dinâmico e objetivo, alegre em todos os momentos, ágil em operar e levar o estilo das emissoras americanas para o rádio mineiro, tocávamos os mais dançantes hits daqueles anos, fiz conexões, que eram as transmissões externas, dos mais variados e badalados points de bh, bares, danceterias, shows, tudo que era jovem e dava movimento tinha a presença da 107FM, nas coberturas dos vestibulares, éramos imbatíveis, fazíamos conexões, com emissoras do litoral capixaba e falando de belo horizonte, fazíamos nosso som chegar ás praias, onde os mineiros passavam férias. Não havia um só estudante ou vestibulando que não ouvisse a 107 fm. Lembro-me que eu era o locutor oficial da listagem dos aprovados da PUC e da FEDERAL, neste dia era montado um grande suporte para o desempenho de meu trabalho, depois da equipe da emissora fazer toda a cobertura do dia do vestibular, com externas dos campi universitários, das ruas, dos bares que circundavam as universidades, chegava o dia de ler o nome dos aprovados nos vestibulares e esta função competia a mim, era uma jornada que já chegou a durar 4 horas ininterruptas, onde eu lia direto, com pequenos intervalos para o bloco comercial cerca 4 a 11 mil nomes de aprovados, um por um, disciplina por disciplina, tudo cronometrado , porque tudo tinha que terminar antes do inicio da Voz do Brasil.
Na 107fm, tudo era festa, tudo era alegria, tinha claro , quebra pau de vez em quando afinal éramos todos jovens, entusiasmados e ás vezes metíamos os pés pelas mãos e o Sr. Claudine, saia comendo o fígado de cada um e colocando o barco nos eixos novamente , ou melhor os ponteiros na freqüência correta.
Mas uma coisa me incomodou nestes 3 anos e meio que fiz parte daquela magnífica equipe, é que a coisa funciona assim , toda radio tem os locutores fixos, a turma da elite, vamos dizer assim e o folguista, aquele que tira a folga da turma, o locutor fixo folga, o folguista trabalha , mas quando um locutor do horário fixo sai da emissora, na grande maioria das vezes o folguista assume o horário titular, isto só não acontece se o folguista não possui condições técnicas para tal. Aí morava o problema, eu já era folguista a 3 anos na emissora, sai titular , entrava titular e eu lá como folguista, um dia já revoltado com aquela situação, fui até a sala do Albertini e desabafei, disse que não agüentava mais ser menosprezado perante os demais locutores, pois eu fazia de tudo e não conseguia assumir um horário fixo, e se ele não estivesse satisfeito com meu trabalho que me avisasse, porque ele nunca me dava um horário titular. Foi aí que eu ouvi a segunda frase que me deixou envaidecido pelo meu trabalho. A primeira foi o Geraldão quem disse, você já lei na nossa postagem anterior, e desta vez foi o Claudine que naquele dia me deu a segunda resposta:”Luigi, não é que você seja ruim garoto, na verdade você não sai da folga porque eu não tenho ninguém que faça todos os horários da radio como você faz e lhe digo mais, o dia que eu te colocar no horário fixo, eu perco você para outra emissora”.Pronto o cara me desmontou, falar o que, depois disto, coloquei meu rabinho entre as pernas, agradeci e voltei pro estúdio para trabalhar, certo de que eu estava ali porque era bom e fazia parte do grupo como peça importante.
Mas o que foram as palavras do Claudine, se tornaram realidade , algum tempo depois o locutor titular do horário das 14 as 18 horas, os Marquinhos Kafka, foi vitima de um assalto, sofrendo uma agressão e tendo de ser hospitalizado, o que deveria ser um caso simples se agravou em função de um infecção hospitalar, e o que era para ser um afastamento de uma semana tornou-se 2 meses de licença.Então , como Claudine , já havia previsto, fui para o horário titular e 30 dias depois, recebo uma ligação exatamente as 18 e 45h. da secretária do diretor da rádio EXTRA FM , que na época era o PAULINHO NAZARITO, ele desejava falar comigo naquela noite ainda e a secretária dele perguntou se eu tinha disponibilidade ir até a emissora falar com ele.
Fui e recebi o convite, para integrar a equipe de comunicadores da EXTRA FM e fazer parte do grupo de profissionais da REDE ITATIAIA DE RADIO.você sabe o que é isto? Se nunca trabalhou ali não sabe mesmo.....
No dia seguinte, pedi um reunião com meus diretores na 107 FM e comuniquei que tinha recebido a oferta da emissora, e ouvi do Claudine mais uma vez, “não te falei que eu ia te perder se você fosse para o horário fixo”, recebi os votos de boa sorte, pois todos que ali trabalhavam sabiam que entrar para a Rede Itatiaia era um grande salto, e que eles não poderiam me impedir de salta-lo. Uma semana depois eu era o apresentador do POIT 103, o programa mais badalado da emissora de 14 as 18 horas, mas esta História e nova fase da minha carreira você vai ler na próxima postagem, até lá.....

A jornada pelo radio parte 04 - Passagem pela Radio Inconfidência AM/FM e Anchieta FM

Depois de passar pela radio Altaneira FM, em um período que durou aproximadamente um 1 ano e meio a 2 anos, tive que dar uma pequena pausa na área de locução, a emissora passou por algumas mudanças técnicas e com isto a programação foi interrompida por um certo período, voltando algum tempo depois como Rádio Grande Belo Horizonte FM, não confunda com BH FM, não tem nada a ver uma emissora com a outra. Com isto, tive que dar meus pulos, afinal já tinha bebido da cachaça do rádio, como costumamos dizer e já tinha ficado viciando em comunicar.
Só que entrar no radio nos anos 80 e 90 ,não era tão fácil como acontece nos dias atuais onde qualquer um – infelizmente a expressão é está mesmo – senta e começa a vomitar qualquer coisa e de qualquer jeito em microfone de rádio.Tive que buscar uma outra colocação e fui ser operador na Radio Inconfidência AM e FM, entrei nos quadros de operação da emissora, esperando vagar uma janela na área de locução, demorou um pouco mas um dia pintou a oportunidade de fazer as férias de um locutor da madrugada no AM, se não me engano era o Contatos da Madrugada, se o nome não for este era parecido. Você que está lendo este blog, já teve oportunidade de falar em uma emissora de rádio, onde você fala alô para um ouvinte ao telefone no ar em Minas Gerais e ele lhe responde do outro lado que está falando lá do Rio de Janeiro? Cabo Frio? Espírito Santo? ,não?, pois é meu amigo(a),é uma sensação indescritível , isto porque no AM da Inconfidência, você fala em ondas curtas e médias , ou seja , você fala longe mesmo.
Bom , fiz este programa em um período de 30 dias, e também cobri durante um certo período algumas folgas na Inconfidência FM.
Só que ao mesmo tempo, visitava outras emissoras de rádio, fazendo testes ou PILOTOS, como chamamos na expressão profissional da coisa.
Até que um dia eu fui bater na porta do SISTEMA DEL REY DE COMUNICAÇÃO, hoje em dia todo mundo conhece como rádio 98FM, lá numa salinha em frente ao estúdios de locução estavam também dois feras respeitadíssimos do radio fm naqueles tempos. ZANCAR e CLAUDINÊ ALBERTINI, este segundo tem uma ficha artística invejável , tente encontra-lo no Orkut e se você tiver acesso ,leia a historia profissional dele. Bem , fiz um piloto, apresentei meu trabalho e um belo dia eis que o CLAUDINÊ me liga e me chama para conversar, a partir daquele momento eu entrava para a equipe de comunicadores da RÁDIO ANCHIETA FM, que estava no complexo do sistema DEL REY mas que pertencia ao Sistema Newton Paiva de Comunicação.Voltei a ser locutor , desta vez em uma radio de BH. Naquele mesmo complexo de radio, estavam as FM TERRA, DEL REY e ANCHIETA FM e também grandes nomes da comunicação do FM naquela época, com KEMIL, LOBÃO, GET CRAZY, Mr.T.
Lembro um dia que cheio de timidez e porque não dizer medo, abri a porta do estudio da Del Rey e quem estava lá era o LOBÃO, uma das vozes mais potentes do rádio mineiro, ao abrir a porta do estúdio, ele me olhou pelo canto da mesa, tipo assim “que isto garoto, como é que você vai entrando assim no estúdio”, fechei a porta rapidinho e fiquei todo sem graça, achando que tinha incomodado o grande lobão, quem diria, que uns 7 anos depois eu ficava tomando caixas de cerveja com ele pelos barzinhos da Avenida Alves Cabral. Bom estando no complexo del rey , também apareceu a oportunidade fazer umas férias na radio TERRA , ela só tocava rock and Roll, e a vinheta era “ O SOM QUE A TERRA NÃO ESQUECEU”, até que depois de 1 ano a rádio Anchieta foi vendida para o grupo PROMOVE de ensino onde nasceria a 107 FM a Rádio do Estudante , uma rádio educativa e a minha mais vibrante e emocionante passagem pelo rádio.

A jornada pelo radio parte 03 - Locutor da Altaneira FM




ALGUNS ANOS DEPOIS..................., bom, anos depois, comecei profissionalmente a minha carreira de radialista, aí muita gente pensa da seguinte forma, o pai dele é o Luziário Pinto, um locutor famoso e respeitado, então ele coloca o filho dele em qualquer lugar, não foi bem assim, ao contrario do que pensavam alguns profissionais da época em que comecei, tive que passar pelo crivo e aceitação de um diretor de radio, como acontece com qualquer um. Na época eu estava com 18 anos, no primeiro teste, o diretor era o CARLOS SANTA RITA, diretor da Radio Grande BH, que pertencia ao grupo MDC, leia Manoel Diamantino Costa. Bom, lá fui eu fazer meu teste, acompanhado do seu Luziário, chegando lá, depois das devidas apresentações, meu pai vira e fala pra mim: “Agora você fica aí e mostra o que sabe fazer”, pronto , tô lascado, achei que ele ia ficar ali pra me orientar, mas não, a intenção dele ao me deixar ali sozinho com o SANTA RITA, era justamente não influenciar na decisão do colega de radio. Assim foi feito, ele se despediu, tirou o time de campo e me deixou ali, na cara do gol, ou melhor, com a bola nos pés, se eu ia marcar o gol era outra estória. Pauta na mão, uma seleção de noticias e uma seleção de musicas, entrei pra o estúdio, suei frio, mas pensei , hora eu sei fazer isto, e disparei. Já fiquei ali, esperando o SANTA RITA, falar, “você está contratado”, mas ele não era o Roberto Justus e não foi daquela vez. Mas tinha um detalhe sobre aquele teste, é que era para radio AM , ou seja para a Rádio Grande BH, o diretor então me disse que depois entrava em contato, pra gente conversar a respeito do teste, passados alguns dias, voltamos lá no escritório da Grande Bh, que na época ficava na Av. Brasil ( se não me engano) e o Santa Rita falou com meu pai, que eu ainda não estava pronto para enfrentar uma rádio AM, mas que eu estava no ponto para trabalhar na emissora FM que o grupo possuía em Pedro Leopoldo, na verdade em São José da lapa, e que se chamava ALTANEIRA FM, se eu quisesse, já poderia começar na semana seguinte, detalhe, o horário era o mais doido de todos , de 02:00 ás 06:00 da manhã. .
Eu nunca tinha ouvido falar desta tal de ALTANEIRA FM, mas tudo bem, atirei no elefante, acertei no camundongo e lá fui eu, ser locutor profissional de rádio, isto no ano de 1986, se eu for contar aqui os detalhes do período em que fiquei na Altaneira FM, você vai ler e por muito tempo, porque teve muita coisa interessante, como por exemplo, ter que pegar o ônibus na rodoviária de BH as 22:00H, subir um morro de quase 300 metros a pé para chegar na radio e trabalhar, levar marmita pra comer de madrugada, dormir um pouquinho de 23:00 à 01.30 da manhã e começar fazer locução até 6 da manha, quando o dia nascia , eu abria o microfone e falava “BOM DIA 6 da manha” nesta hora o boi chegava na janela e mogia, saindo tudo no ar o bem-te-vi, cantava no pé de goiaba que tinha ao lado da janela do studio, que não tinha vidro era de madeira mesmo e a dona Maria que tinha um sitio pequenininho ao lado do terreno da radio, chegava na janela de uma hora pra outra e pergunta “ ô luizim meu fio cê que um cafezim”, e outras coisa, como o CARLOS MONTEZUMA chegando na rádio com sua motoca potente, acho que era uma Halley , todo rebelde (como sempre era) e dando murros e afundando a madeira das portas já destruídas pelos cupims. Quando dava fome a gente apelava para os pés de goiaba ou de mexerica que tinha no terreno da rádio,.Bom como disse são muitos os casos que tomariam muito seu tempo aqui lendo, mas registro aqui um abraço para os companheiros de rádio daquela época, como o técnico ELMIR , que está até hoje em Pedro Leopoldo e é dono da Radio Comunitária PLFM, do MARCELO PIANCASTELLI, o galâ da radio, o WAGNER COCCI o ZÉ CARLOS (dividi algumas marmitas com este cara), e um cara que não lembro nome mas ele chegou na radio e disse que queria ser conhecido pelo nome artisitico NEW LANDER , eu agüento isto, o apelido era americano, mas o sujeito não sabia falar o nome de uma música internacional kkkkkkk, fazer o que né?, teve também , o CAIO CAVALCANTE diretor de Marketing, que veio um tempo depois integrar a equipe da emissora , o GUERRA, que era o diretor artístico, com quem iria trombar uns anos depois na EXTRA FM e a LUCIENE TAKARASHI, namorada dele e responsável pelo jornalismo da Altaneira.No período que fiquei por lá, também fui aprendendo mais e comecei a gravar alguns comerciais para a radio GRANDE BH AM.
Ufa!!!!, está coisa de contar História,não é mole, mas tudo bem, pausa até a próxima postagem, onde vou contar da minha passagem pela RÁDIO INCONFIDÊNCIA AM e FM.